Fernando Baldin (*)
A corrida das empresas por automação ganhou o primeiro impulso com o avanço do RPA (Automação Robótica de Processos), e depois com a inteligência artificial generativa. Hoje, praticamente toda companhia busca formas de aumentar produtividade, reduzir custos e acelerar operações por meio da tecnologia, mas existe um problema pouco discutido, em que muitas organizações começam a automatizar antes mesmo de entender quais processos realmente deveriam ser automatizados.
O resultado é que recursos, tempo e energia são direcionados para iniciativas que geram pouco impacto, enquanto gargalos importantes continuam escondidos na rotina das equipes. A tecnologia, na maioria das vezes, não é o principal desafio, na verdade o principal obstáculo está na priorização.
O custo invisível do “sempre foi assim”
Em praticamente todas as empresas existem tarefas que sobrevivem apenas pela força do hábito, como planilhas atualizadas manualmente, relatórios que exigem horas de consolidação, conferências repetitivas ou fluxos de aprovação excessivamente burocráticos.
O curioso é que muitas dessas atividades deixam de ser questionadas e com o tempo, passam a ser encaradas como parte natural da operação. É justamente aí que surgem algumas das maiores oportunidades de transformação. Quando as organizações analisam seus processos de forma estruturada, frequentemente descobrem que os maiores ganhos não estão nos projetos mais complexos, mas em atividades simples, executadas diariamente por dezenas de pessoas.
Minutos desperdiçados em tarefas repetitivas podem parecer irrelevantes isoladamente, mas representam centenas de horas produtivas ao longo do ano.
Nem toda automação gera valor
Outro erro comum é associar automação apenas à viabilidade técnica, já que o fato de um processo poder ser automatizado não significa que ele deva ser prioridade.
As empresas que obtêm melhores resultados analisam fatores como frequência, impacto operacional, riscos envolvidos e potencial de retorno para o negócio. A pergunta mais importante não é “o que podemos automatizar?”, mas “o que gera mais valor se for automatizado?”.
Essa mudança de perspectiva evita investimentos em projetos sofisticados que resolvem problemas pequenos, enquanto questões estratégicas permanecem sem solução.
O ROI vai além da redução de custos
Quando se fala em retorno sobre investimento, a discussão costuma se concentrar na economia de tempo ou dinheiro, mas os benefícios da automação são mais amplos.
Uma informação que chega mais rápido para a tomada de decisão, redução de falhas operacionais, melhoria da qualidade dos dados e a liberação dos profissionais para atividades mais estratégicas são ganhos que impactam diretamente a competitividade das organizações. Em um cenário cada vez mais orientado por dados e velocidade, esses fatores podem ser tão valiosos quanto a própria redução de custos.
A inteligência artificial continuará ampliando as possibilidades de automação, no entanto, o sucesso não dependerá apenas das ferramentas adotadas, mas da capacidade das empresas de identificar onde elas realmente fazem diferença.
Antes de falar sobre robôs, IA ou qualquer outra tecnologia, existe uma pergunta que precisa ser respondida “quais processos merecem ser transformados primeiro?”, é dessa resposta que nasce uma estratégia de automação capaz de gerar resultados concretos e sustentáveis.
(*) Country Manager LATAM na AutomationEdge.
