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São Paulo
27 de janeiro de 2026

Excesso de tecnologia vira risco para a cibersegurança no Brasil

Bruno Nóbrega (*) 

A multiplicação de fornecedores e ferramentas virou um risco tão grave quanto os próprios
ataques cibernéticos.

O Brasil avançou e se consolidou como referência em investimentos em tecnologia e
cibersegurança na América Latina, sendo o único país da região classificado no primeiro
nível do Global Cyber Security Index. Esse avanço, no entanto, trouxe um efeito colateral
que precisa ser enfrentado em 2026: a multiplicação de fornecedores, plataformas e
ferramentas criou uma complexidade de gestão que hoje representa um risco tão relevante
quanto os próprios ataques cibernéticos.

Empresas e governos entenderam que precisam investir em proteção e infraestrutura. Mas
o mercado, na busca por oferecer soluções cada vez mais especializadas, acabou criando
um ambiente onde uma organização pode ter até 60 ferramentas diferentes, de
fornecedores distintos, que muitas vezes não conversam entre si. Essa pluralidade, que
deveria ser uma fortaleza, virou um risco operacional. O foco para 2026 precisa ser
simplificação. Não adianta ter a melhor tecnologia do mundo se o time não consegue
operá-la de forma eficiente.

O desafio de 2026 é garantir que o Brasil mantenha a posição de destaque conquistada.
Somos pioneiros em vários aspectos de governança e investimento em tecnologia. Agora
precisamos dar o próximo passo: transformar todo esse investimento em proteção real e
eficiente. Simplificar não significa reduzir a segurança, significa torná-la gerenciável,
sustentável e funcional. Reduzir o número de fornecedores e ferramentas não só melhora a
postura de segurança como diminui custos operacionais e simplifica a gestão do dia a dia. É
um movimento que beneficia todo mundo.

(*) CEO do Grupo NTSec, integrador de tecnologia e segurança da informação.