É o que aponta o relatório Flexera State of the Cloud 2026, publicado pela SC Clouds e distribuído no Brasil em parceria com a AbraCloud. A nuvem pública é forte nas médias empresas, com 63% delas fazendo uso do recurso.
À medida que as empresas expandem seus ambientes híbridos, incorporam IA em fluxos de trabalho críticos e buscam previsibilidade financeira, os seus líderes estão mais confiantes na maneira como investem em nuvem, SaaS e IA,com a Nuvem híbrida sendo a preferência de 73% das empresas.
É o que aponta o Relatório Flexera State of the Cloud 2026, traduzido pela SC Clouds e distribuído no Brasil em parceria com a AbraCloud. O estudo aponta as tendências do mercado de computação em nuvem, revela as pressões enfrentadas pelos profissionais de TI e as iniciativas estratégicas utilizadas por médias e grandes empresas para se manterem competitivas, em um mercado dinâmico, competitivo e em constante evolução.
Os dados para a nova edição do relatório foram coletados em um cenário em que a computação em nuvem entra em uma nova era, definida por decisões de infraestrutura com maior clareza, confiança e valor, na qual as organizações esperam maior retorno de cada investimento colocado em tecnologia.
Foram ouvidos 753 tomadores de decisão e usuários de cloud em todo o mundo para verificar as as movimentações neste mercado. A inteligência artificial generativa (GenAI) vem sendo amplamente adotada, com todos os respondentes indicando utilizá-la de alguma maneira, sendo que quase metade já faz uso extensivo da tecnologia.
Ao mesmo tempo, a nuvem híbrida segue como a arquitetura dominante. Entre organizações com até 5 mil colaboradores, 69% adotam esse modelo, enquanto o percentual sobe para 78% nas organizações com mais de 5 mil colaboradores.
Curiosamente – revela o relatório – os modelos de arquiteturas multicloud utilizados mudaram muito pouco. Aplicações isoladas em ambientes distintos continuam sendo o principal fator para a adoção de multicloud, enquanto a alocação estratégica de cargas de trabalho e o uso de workload bursting (expansão temporária para a nuvem em momentos de pico) ainda figuram entre as motivações menos comuns.
A gestão dos investimentos em nuvem
As organizações buscam obter maior visibilidade granular sobre seus gastos em nuvem para entender melhor o valor gerado por esses investimentos. Ao analisar custos unitários, as empresas conseguem tomar decisões mais detalhadas sobre o retorno dos investimentos em nuvem. As grandes empresas (53%) têm muito mais probabilidade do que as pequenas e médias empresas (32%) de medir a economia unitária, pois tendem a contar com mais recursos dedicados para estruturar pipelines de dados e acompanhar métricas unitárias.
Neste contexto, ganha força a adoção dos centros de excelência em cloud (CCOEs), as equipes de FinOps e os provedores de serviços gerenciados (MSPs) para atender às novas demandas das empresas de todos os segmentos.
Esses movimentos reforçam que o sucesso em cloud não depende apenas de tecnologia, mas do alinhamento entre stakeholders para gerar valor para o negócio. Para os organizadores do relatório, essa não é apenas uma questão de eficiência: as estratégias de nuvem agora influenciam a competitividade, a velocidade da inovação e a disciplina fiscal.
Os dados revelam também um histórico de práticas mais maduras, governança expandida e um foco maior em resultados de negócios, nos quais a governança e o domínio da complexidade passam a definir o sucesso.
As métricas de custos perdem espaço para os indicadores de impacto nos negócios
Em diversos setores, os líderes estão deixando as métricas puramente focadas em custos de lado para a adoção de indicadores de impacto nos negócios. Em 2026, o número de organizações que mensuram o valor entregue às unidades de negócios subiu para 64%, um aumento de 12 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, as métricas de custo-benefício diminuíram, sinalizando uma visão mais madura da nuvem como um motor de inovação, agilidade e retorno sobre o investimento.
Quase metade das organizações (49%) agora utilizam a análise de custo por unidade para vincular o custo da nuvem aos seus resultados de negócios. No relatório anterior o percentual era 40%. Essa mudança reflete o modo como os CFOs e CIOs gerenciam outros investimentos estratégicos: vinculação dos recursos financeiros ao valor que é possível ser melhor mensurável para construir modelos operacionais que maximizem a previsibilidade.
É exatamente aí que as organizações precisam concentrar parte de seus esforços em 2026, apontam Relatório Flexera State of the Cloud 2026: o resultado desejado pelas empresas é o aumento da precisão de investimento em tecnologia, com a clareza necessária para desbloquear as restrições à confiança nos investimentos em nuvem.
Nuvem pública é forte nas médias empresas
Cerca de 63% das pequenas e médias empresas possuem cargas de trabalho operando na nuvem pública, um aumento de 8 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Neste ano, o número de cargas de trabalho em execução na nuvem pública continuou a crescer. No ano passado, as médias empresas previam um aumento de 13% nas cargas de trabalho em cloud, mas o crescimento real avançou 8 pontos percentuais — ainda assim, um ganho relevante.
As grandes empresas registraram crescimento de 52% para 54% em suas cargas de trabalho em cloud, enquanto as médias empresas tiveram um salto expressivo de 55% para 63% em relação ao ano anterior. Essa tendência de alta reforça que as organizações estão transferindo cada vez mais suas operações para a nuvem pública.
Houve pouca variação, ano a ano, em relação aos dados na nuvem pública. A maioria das médias empresas (61%) e das grandes empresas (51%) atualmente possui dados armazenados na nuvem pública.
Fusões e aquisições aumentam a complexidade dos ambientes híbridos e multicloud
Ao mesmo tempo em que a nuvem híbrida se mantém na liderança, a adoção de multicloud também segue o caminho de crescimento, também impulsionada por fusões ou por aplicações isoladas.
As fusões e aquisições ganham destaque neste movimento porque criam ambientes mistos, com as equipes escolhendo nuvens diferentes para dar conta de cargas de trabalho diferentes. Os ambientes de nuvem privada permanecem sendo utilizados porque custa caro recomprar ou reconstruir aplicativos para responder às necessidades das fusões. O resultado disso é uma complexidade — muitas vezes não planejada — que exige governança intencional.
Segundo o State of the Cloud 2026, os padrões de gastos com nuvem reforçam essa tendência. Grandes empresas continuam a crescer, com 76% delas gastando mais de US$ 5 milhões por mês em nuvem pública. Ao mesmo tempo, as médias empresas estão aumentando a adoção de cargas de trabalho em nuvem, com o uso de nuvem pública subindo de 55% para 63% ano a ano.
A adoção da IA acelera e remodela a economia da nuvem
A IA está totalmente consolidada. Todos os entrevistados na pesquisa deste ano afirmam que usam IA Generativa (GenAI) de alguma maneira, e 45% a utilizam extensivamente, um aumento em relação aos 36% do ano passado. O uso de serviços de GenAI em nuvem pública subiu de 50% para 58% em relação ao ano anterior, o maior aumento entre todos os serviços em nuvem.
Quase a metade, 47%, das grandes empresas possuem uma equipe ou liderança dedicada à governança de IA. Embora as iniciativas de IA sejam, na maioria das vezes, lideradas por um responsável de TI ou pelo líder de estratégia de nuvem, as maiores companhias – com mais de 10 funcionários — têm muito mais probabilidade de estabelecer uma equipe dedicada à governança de IA.
As organizações estão indo além do foco inicial do FinOps na redução de custos
A edição de 2025 do relatório State of the Cloud já destacava que as organizações estavam intensificando o controle sobre os custos da computação em nuvem, com mais da metade das organizações naquela época afirmando que possuíam equipes de FinOps para obter mais eficiência, previsibilidade e reduzir o desperdício de recursos em um cenário de competitividade acirrada. Hoje, 63% têm uma equipe dedicada de FinOps. No ano passado o percentual era de 59%.
Os dados deste ano mostram uma mudança para a mensuração do valor de negócio, em vez de apenas de economia de custos. Métricas como o valor gerado para as unidades de negócio aumentaram 12 pontos percentuais, enquanto a redução e eficiência de custos evitáveis apresentaram queda.
Essa mudança indica um nível maior de maturidade em relação ao FinOps, que já ocupa um papel que ajuda a demonstrar o valor de negócio da tecnologia. Cada vez mais, equipes adotam a lógica de unit economics para entender o custo por serviço e alinhar os investimentos aos resultados, com quase metade (49%) utilizando essa abordagem, em comparação com 40% no ano anterior.
A mensagem dos entrevistados é clara: o sucesso em cloud não está mais em reduzir orçamentos — está em comprovar retorno sobre o investimento (ROI) e viabilizar a inovação.
Lidando com a complexidade
As organizações estão formalizando a supervisão da nuvem para lidar com a crescente complexidade dos ambientes em nuvem: 71% delas agora possuem um Centro de Excelência em Nuvem (CCOE), sinalizando que a responsabilidade pela gestão de custos na nuvem está se expandindo.
O envolvimento das equipes de SAM (Supplier Asset Management) saltou de 6% para 15%, e, ao mesmo tempo, a participação das unidades de negócios aumentou de 20% para 25% em relação ao ano anterior. Esse engajamento multifuncional reflete uma tendência mais ampla: a nuvem não é mais um domínio exclusivo da engenharia, revelando que que:
– Cada vez mais equipes estão adotando o modelo FinOps “shift-left” , prevendo custos antes da implementação;
– As avaliações de migração para a nuvem agora priorizam a modelagem de custos em detrimento da otimização pós-migração;
– A precisão das previsões está se tornando um diferencial.
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