As ‘novas’ Cidades Digitais
*Por Roberto Carlos Mayer
Faz quase uma década que os projetos
pioneiros de aplicação da Tecnologia
da Informação, e em particular da
Internet, começaram a ser criados
para comunidades urbanas no país que
não foram beneficiadas pelo momento
gerado pela Internet comercial, em
função de seu limitado tamanho em
população ou produção econômica.
Muitos anos e governos se passaram,
mas ainda não fomos capazes de
integrar comunidades desse porte na
era digital. O Programa Nacional de
Banda Larga, criado antes da
campanha que levou o presidente Lula
a sua reeleição, continua se
arrastando na sua implementação.
A implementação de Cidades Digitais
certamente é uma opção política. Não
só é verdade que o acesso ao
conhecimento por meio da Internet é
uma das formas de superar a brecha
educacional e econômica nas pequenas
cidades, como o uso das TICs aumenta
a eficiência do uso dos recursos
públicos (assim como bem sabemos que
ocorre nas empresas), melhora a
qualidade do atendimento ao cidadão
(tanto on-line quanto presencial),
assim como aumenta a transparência
governamental. Finalmente, os
políticos esperam que aumente a
participaçao dos cidadãos na
política, em tempos que estes
apresentam baixos índices de
confiança nos políticos e na
política.
Outro aspecto importante é o
conceito de Cidade Digital: definido
já em 2002, ele inclui o uso geral
dos recursos das TICs por todos os
atores presentes nas cidades:
governos, empresas, funcionários e
cidadãos. Ou seja, é imediato
deduzir que Cidade Digital é um
conceito diferente do e-Gov (Governo
Eletrônico).
Assim, o recém lançado programa
piloto de Cidades Digitais, por
parte do Governo Federal (anunciado
em 28 de março em cerimônia no
Ministério das Comunicações), causa
tremenda estranheza: seu objetivo
principal é interligar os órgãos
municipais e os equipamentos
públicos locais em oitenta
municípios com menos de 50 mil
habitantes, a serem selecionados
pelo Ministério até o mês de julho
(ao custo médio de quinhentos mil
reais por cidade).
Este programa de Cidades Digitais
foi concebido pelo Ministério em
parceria com Anatel, Embratel e
algumas instituições acadêmicas
federais. A total ausência de
participação da inicativa privada na
concepção do projeto talvez seja uma
das causas para a visão tão parcial
do conceito de Cidades Digitais.
Apresentado como um programa piloto,
esperamos que esteja a tempo de
fazer as necessárias correções.
* Roberto Carlos Mayer é vice-
presidente de Relações Públicas da
Assespro Nacional e diretor da MBI e
presidente da ALETI (Federação Ibero
– Americana de TI).
