23 de julho de 2026

Na Era da IA Agentic o Zero Trust tradicional já não basta.

O alerta é dos especialistas da Cequence Security e e-Safer. Segundo eles, o novo infiltrado não é humano, e as organizações precisam mudar a abordagem da cibersegurança

Em participação confirmada no Gartner Security & Risk Management Summit 2026, em parceria com a e-Safer, Fernando Salla, LATAM Sales Director da Cequence Security, defende a evolução do modelo Zero Trust em direção à governança e segurança comportamental contínua de agentes autônomos.

Segundo ele, a Inteligência Artificial impõe um novo paradigma: Agentes de IA deixaram de ser ferramentas de consulta e passaram a atuar como identidades operacionais autônomas dentro das empresas. Com isso, a limitação do Zero Trust clássico é um desafio a ser enfrentado. Apenas autenticar “quem solicita o acesso” não garante que o agente agirá conforme sua missão de negócio ao longo da sessão.

Outro risco verificado nas organizações é o Shadow Agentic AI, em que áreas de negócio estão criando automações não mapeadas, gerando “identidades invisíveis” com acesso via APIs a dados sensíveis. Além disso, as APIs podem atuar como porta de entrada para os ataques cibernéticos: enquanto o modelo de IA “pensa”, as APIs “executam”, posicionando a segurança como estratégica para monitorar o comportamento das APIs e dos Agentes de IA em tempo real.

Durante o Gartner Security & Risk Management Summit 2026, que acontece nos dias 04 e 05 de agosto no Hotel Sheraton WTC, a Cequence Security e e-Safer irão fazer uma provocação central aos CISOs e líderes de tecnologia: “a validação tradicional de identidade já não é suficiente para garantir a proteção dos ecossistemas digitais. Ou seja, o Zero Trust ainda basta?”

Fernando Salla, LATAM Sales Director da Cequence Security, aponta o cenário que traz o questionamento, se Zero Trust como é aplicado hoje, é suficiente, com a ascensão da Inteligência Artificial Agentic redefinindo os fundamentos da cibersegurança corporativa.

Segundo o executivo, durante anos, a indústria concentrou esforços no modelo Zero Trust (“nunca confie, sempre verifique”), focado em responder quem tenta acessar os sistemas. “No entanto, a chegada dos agentes autônomos introduz identidades digitais que interpretam objetivos, tomam decisões, consultam bases de dados e acionam APIs corporativas sem supervisão humana constante”, pondera ele.

O novo infiltrado não é humano

As organizações costumavam se defender de duas ameaças clássicas: a) invasores externos e b) colaboradores mal-intencionados (insiders). A IA Agentic estabelece uma terceira categoria de risco. “Trata-se de um agente de IA legítimo, devidamente autenticado e com credenciais válidas. Contudo, devido a um erro de interpretação, influência de um prompt malicioso ou extrapolamento de limites, ele pode executar uma sequência de ações completamente desalinhada do seu objetivo de negócio. O passaporte continua válido, mas o comportamento mudou.”, alerta Salla.

Para ilustrar essa transformação provocada pela IA Agentic, Eder Souza, CTSO da e-Safer, utiliza a analogia de um aeroporto internacional: apresentar um passaporte válido garante a entrada no país, mas não assegura a conduta da pessoa após cruzar a imigração. “Da mesma forma, tokens e credenciais aprovam o acesso do agente de IA, mas não asseguram que ele se manterá fiel à sua missão”, afirma ele.

Segurança de APIs e o fenômeno Shadow Agentic AI

A Cequence e a e-Safer destacam também que a fronteira dessa nova dinâmica da IA reside nas APIs corporativas. Enquanto o modelo de Inteligência Artificial pensa e toma decisões, a API é o vetor pelo qual ele atua no mundo físico e digital — movimentando recursos financeiros, alterando cadastros em CRMs e transferindo dados estratégicos.

Paralelamente, surge o desafio da Shadow Agentic AI, em que departamentos criam automações e conectam agentes via servidores MCP ou modelos públicos sem a visibilidade da equipe de TI e Cibersegurança.

O futuro é a cibersegurança comportamental

A Cequence Security e a e-Safer reforçam que o Zero Trust continua indispensável, mas ele precisa evoluir. O monitoramento contínuo deve responder a perguntas dinâmicas: essa ação é coerente com a missão do agente? O volume de dados acessado faz sentido? A API acionada está dentro do escopo permitido?

“A autenticação continuará sendo a porta de entrada. Contudo, a identidade isolada não é mais sinônimo de confiança. O futuro da segurança da informação será decididamente comportamental”, concluem Salla e Souza.