12 de fevereiro de 2026

Governança de dados na nuvem é mais crítica do que nunca

Rodney Repullo (*)

Em um mundo onde as empresas geram e movimentam grandes quantidades de dados em ambientes distribuídos, a governança dos dados é uma prioridade.

Mas, à medida que a adoção da nuvem se acelera, também aumentam os riscos de fragmentação de dados, políticas inconsistentes e lacunas de conformidade. O desafio não é apenas armazenar ou acessar dados, mas sim saber onde eles estão e governá-los de maneira eficaz. 

Governança fraca prejudica a operação em nuvem 

Em uma governança de dados fraca ou fragmentada, rapidamente aparecem falhas em toda organização. Em vez de permitir uma tomada de decisão segura, os dados criam atritos entre sistemas, equipes, expectativas regulatórias e realidades operacionais. Quanto mais tempo essas lacunas persistirem, mais difícil será corrigi-las. Vamos comentar algumas consequências dessa deficiência para esta jornada:

1 – Fontes de dados desconectadas com métricas conflitantes – quando os sistemas operam em silos, as equipes trabalham com base em relatórios, KPIs e previsões inconsistentes ou desconectados. Decisões críticas se tornam suposições em vez de baseadas em insights;

2 – Shadow IT e propriedade de dados fragmentada: à medida que os departamentos implantam suas próprias ferramentas e plataformas, a TI perde visibilidade e controle. Dados confidenciais fluem para fora dos ambientes aprovados, aumentando o risco;

3 – Exposição à conformidade e falhas de auditoria: sem governança centralizada, o rastreamento da linhagem de dados, acesso e políticas de privacidade torna-se reativo. As empresas enfrentam multas regulatórias crescentes, danos à reputação e interrupções operacionais;

4 – Resultados de análise e IA não confiáveis: a baixa qualidade dos dados e a governança inconsistente corroem a confiança em modelos de análise e aprendizado de máquina, minando os investimentos em IA e automação.

De acordo com a Gartner, espera-se que 60% das iniciativas de IA que dependem de dados de baixa qualidade ou mal preparados fracassem até 2026, indicando que, sem uma governança sólida, até mesmo as inovações de ponta podem entrar em colapso devido à sua própria complexidade.

Por que a nuvem torna a governança de dados mais complexa?

A mesma flexibilidade que torna a nuvem atraente – escalar recursos sob demanda, conectar equipes globais, lançar novos serviços – também acelera a disseminação de dados além das fronteiras tradicionais. Isso cria pontos cegos para a TI, lacunas de conformidade para as equipes de segurança e conjuntos de dados conflitantes para os usuários corporativos.

Ao mesmo tempo, os requisitos regulatórios estão se tornando mais rigorosos:

– LGPD e leis emergentes de privacidade de dados, exigem controle claro e demonstrável sobre dados pessoais.– As empresas devem garantir armazenamento seguro, gerenciamento de acesso adequado e rastreabilidade dos dados, independentemente de onde estejam.

Enquanto isso, as equipes de liderança esperam insights quase em tempo real, previsões baseadas em IA e automação inteligente.

Mas, sem dados governados, confiáveis e oportunos, esses resultados permanecem inalcançáveis. A empresa moderna não pode se dar ao luxo de tratar a governança como algo secundário. Ela deve ser fundamental, incorporada à arquitetura desde o primeiro dia.

Incorporando governança à arquitetura de nuvem

A governança de dados em nuvem eficaz é a espinha dorsal de operações seguras, em conformidade e escaláveis. Ela garante que os dados fluam entre ambientes sem comprometer a qualidade, a privacidade ou o alinhamento regulatório. Quando a governança é incorporada à sua arquitetura, as empresas ganham mais do que supervisão. Elas ganham confiança, velocidade e controle.

Veja os resultados da governança bem planejada:

– Visibilidade e controle centralizados em todos os ambientes – as equipes de TI podem monitorar, gerenciar e governar dados em plataformas de nuvem, locais e SaaS por meio de um único painel;

– Políticas automatizadas para qualidade, linhagem e acesso de dados – regras automatizadas garantem que os dados permaneçam precisos, completos e rastreáveis, reduzindo erros humanos e inconsistências;

– Estruturas de segurança e conformidade incorporadas – governança não é um projeto; é parte das operações diárias, com políticas de privacidade, criptografia e controles de acesso baseados em funções incorporadas aos pipelines de dados;

– Validação em tempo real e prontidão para auditoria – as verificações de qualidade e conformidade dos dados ocorrem em tempo real, tornando a geração de relatórios regulatórios e a supervisão operacional mais simples.

Integrando as aplicações de software e sistemas de dados

Com orquestração centralizada, controles em tempo real e estruturas de conformidade incorporadas ao projeto de integração de sistemas, as empresas obtêm melhores resultados em seus projetos de governança de dados.

Ao acelerar a integração com sistemas empresariais críticos (ERP, CRM, EHR, plataformas financeiras), a governança irá se estender a todos os domínios de dados, elevando a eficiência operacional impulsionando os negócios.

(*) CEO da Magic Software Brasil