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Da Automação de Agências às Fintechs

Não há dúvida alguma que vimos assistindo nos últimos 40 anos transformações excepcionais no comportamento da sociedade, motivadas pela evolução contínua e exponencial de produtos, serviços e soluções oriundos da Tecnologia da Informação e das Telecomunicações (TIC).

Por uma questão de época de entrada no mercado profissional, tive a ventura e a oportunidade de estar atuando em TIC nessas quatro décadas e ser testemunha de mudanças inimagináveis e quase sempre imprevisíveis que se incorporaram e continuam se incorporando ao nosso cotidiano com ou sem a nossa permissão.

Muito dessa minha experiência acumulada vem do desenvolvimento e da implementação de recursos computacionais e de Telecom no segmento bancário nacional, que sempre esteve na liderança da iniciativa de adoção de soluções de TIC, seja para os seus grandes computadores, quanto para os equipamentos que propiciam o relacionamento direto com os cidadãos, clientes de nossas instituições financeiras. Não por acaso, o Brasil é há muito tempo, reconhecido como uma das principais, talvez a principal, referência quando o tema é “o valor e a importância da TI na evolução, eficiência dos serviços financeiros ofertados à população”.

Considerando-se os diversos vieses que poderíamos abordar sobre esse cenário altamente qualificado, vamos nos ater aos temas que compõem o título desse artigo: Automação de agências e Fintechs. Apesar de parecerem temas tão diversos, podemos buscar vários aspectos comuns entre ambos, porém vamos nos ater à transformação no negócio “Finanças e o consumidor” que ambos tiveram (automação bancária) e terão (fintechs). Vamos a alguns desses aspectos:

Popularização – Ao investir na automação das agências, as instituições financeiras trouxeram uma nova realidade aos seus clientes, permitindo que cada vez mais essas pessoas acessassem, de forma amistosa, as informações sobre seus ativos financeiros sem a dependência total - existente até então - da mediação dos funcionários das agências.

Podemos dizer que as Fintechs também têm todo esse potencial para ampliar a popularização, uma vez que surgem e se desenvolvem em um momento em que as pessoas tendem a priorizar a utilização de serviços que envolvam a tecnologia que está ao seu alcance o dia todo.

Democratização – Uma das grandes preocupações quando das primeiras iniciativas de automação de agências estava ligada a um conceito (na verdade errôneo, que se provou mais tarde) que apenas a elite cultural estaria capacitada para a utilização de cartões magnéticos, ATMs etc. A prática mostrou rapidamente que a sensação de liberdade e de igualdade levou todos os usuários a se incorporarem rapidamente à nova realidade de serviços ofertados, os quais se mostraram democráticos ao não considerar nenhum aspecto econômico, financeiro ou qualquer outro aspecto para selecionar ou segregar clientes. 

Podemos afirmar com toda certeza que as Fintechs aumentarão ainda mais essa democratização. Afinal de contas, os dispositivos móveis estão nas mãos de quase toda a população ( incluindo a desbancarizada) e a utilização de aplicativos (apps faz parte do dia a dia de cada um de nós, cidadãos brasileiros. Ou seja, as Fintechs chegam com características tecnológicas (apps) e serviços muito próximos desse cotidiano de acesso a informações em que vivemos de forma tão intensa e que fazem parte de qualquer lista de desejos das pessoas.

Evolução dos processos das instituições financeiras – Talvez a grande mudança e ao mesmo tempo, o aspecto mais similar entre automação bancária e Fintechs. Nos dois cenários, as instituições financeiras viram-se e - ainda se veem -  obrigadas a rever ou criar conceitos, processos, rotinas operacionais, metodologias, forma de relacionamento com correntistas, sistemas computacionais, questões de segurança física e virtual e etc, para implementar as novas soluções e ao mesmo tempo atender novas demandas e solicitações que passaram a surgir num ritmo frenético e com complexidade cada vez mais intensa. Podemos afirmar que, para atender e ajudarem os seus clientes, as instituições financeiras têm que se transformar todo dia!

Extinção e criação de novos cargos e funções – De forma inexorável, a automação bancária eliminou muitas funções de controle e/ou administrativas existentes no ambiente de agências ou ainda na retaguarda operacional das próprias instituições; eliminação essa que foi amplamente compensada pela criação de novas funções/cargos e também pelo desenvolvimento e qualificação dos profissionais dos bancos. Ao falarmos de Fintechs, o mercado de trabalho demanda novos perfis, novos conhecimentos de tecnologia e um “pensar” novo orientado a uma geração de consumidores que nasceram digitais e, certamente, apresentam um conjunto de necessidades bem diferentes do que demandavam as gerações anteriores.

Poderíamos elencar outros aspectos de similaridade entre os dois temas que, apesar de terem seus respectivos inícios separados por aproximadamente quatro décadas, mostram que novas ideias e novos conceitos sempre terão grandes chances de sucesso se oferecerem os melhores produtos e serviços de forma democrática, popular e orientada a otimizar a vida dos seus clientes e usuários.

Boas transformações sempre serão bem-vindas!

(*) Analista de Mercado de TICs - Colunista do IT Portal

 

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