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O Spotify vai reinventar o rádio e será o fim das emissoras?

Thiago Fernandes (*)

Não é apenas o Spotify que está mudando a maneira de se ouvir música. Entre as plataformas de streaming de música ainda temos o Deezer, Apple Music, Google Music, MixRadio, Napster (sim, Napster!), Xbox Music, TIDAL e muitas outras, espalhadas por aí, para públicos variados.

Não é apenas o Spotify que está mudando a maneira de se ouvir música. Entre as plataformas de streaming de música ainda temos o Deezer, Apple Music, Google Music, MixRadio, Napster (sim, Napster!), Xbox Music, TIDAL e muitas outras, espalhadas por aí, para públicos variados.

Estes serviços nasceram na esteira das tecnologias e dos negócios digitais, coletando e analisando um grande volume de dados não estruturados que mudou radicalmente o comportamento das pessoas no consumo de serviços, seja eles online ou offline. Negócios tradicionais como serviços de manicure, entrega de comida, de carona, médicos, entre outros, foram consideravelmente impactados pelo digital.

No entretenimento, o avanço das plataformas de streaming de vídeo, por sua vez, coincide com a queda do número de assinantes de TV por assinaturas ao longo dos últimos anos. Já o mercado fonográfico, fortemente impactado pelo digital, registrou crescimento de 30% em 2018, segundo o Pró-Música Brasil, que reúne os produtores fonográficos Associados. No entanto, esse crescimento é atribuído, fundamentalmente, ao digital, que em 2018 representou 72,4% do total.

A edição mais recente do Radar de Popularidade de Apps, que integra o estudo Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre uso de apps no Brasil, aponta que 38% dos 1.763 usuários brasileiros de smartphones, ouvidos pela pesquisa, pagam para ver filmes e séries no dispositivo móvel. Outros 20% pagam para ouvir música.

No caso do rádio, ele ainda é acessível a 86% da população, segundo aponta estudo da Kantar IBOPE Media. Ou seja, 3 em cada 5 pessoas escutam o meio todos os dias. No entanto, o digital começa a impactar diretamente os radiodifusores, uma vez que os grandes anunciantes estão redirecionamento a maior parcela da verba para veículos digitais e, que os serviços de streaming de música e estão se movimentando pouco a pouco para atrair essa parcela significativa da população, os ouvintes de rádio.

O que estes números podem ensinar aos radiodifusores? A resposta é simples: as emissoras precisam adotar novas tecnologias e Analytics e inovar em formatos de produção e distribuição de conteúdo para este novo ambiente fortemente impactado pelo digital.

Tecnologia, diversidade e especialização na programação

Todo mundo sabe que rádio toca música. Mas, oferecem muitos mais que isso. Programas jornalísticos e de prestação de serviço complementam a programação, o que segura o ouvindo ávido por entretenimento e informação, muito mais do que apenas sintonizar o dial em sua emissora musical preferida. 

O Spotfy e outros serviços de streaming fazem isso? Não, mas já estão trabalhando em algo para abocanhar esta parcela de mercado. Muitas destas plataformas já oferecem um vasto menu de podcast sobre diversos assuntos, principalmente jornalístico, de debates, entre outros. Aliás, podcast, que é um tema fortemente abordado em congressos, ainda não é tratado como uma oportunidade de negócio com desenvolvimento de formatos de conteúdo e merchan integrados, pelo contrário, tirando as emissoras que já produzem, das que consideram a criação de podcasts, a maioria quer pegar os programas gravados para a Censura e disponibilizar para o ouvinte.

Muitos radiodifusores já estão no digital – cerca de 1.500 deles no Brasil - com seus aplicativos mobile, oferecendo uma oportunidade de entregar ao seu ouvinte inúmeros serviços que o dial não permite. No entanto, ainda no básico feijão-com-arroz, enfrentando problemas básicos de qualidade do áudio, estabilidade do sinal, pouca interatividade e nenhum uso das tecnologias avançadas que as plataformas de streaming possuem. Uma delas é o uso da inteligência artificial (IA) e o machine learning (ML).

Combinado Inteligência, aprendizado de máquina e experiência do ouvinte

Sempre buscando garantir a Experiência do Usuário (UX) como diferencial competitivo, as empresas que se apoiam em dados e tecnologia para entregar melhores serviços estão conseguindo aumentar e manter o público fiel. A maioria do consumidor brasileiro ainda é amante do rádio (cerca de 86% da população, como citamos anteriormente).  As novas gerações, que chegam já ouvindo música e vendo filmes apenas nos aplicativos poderão ser impactados pelo rádio se este souber combinar as novas formas de acessar conteúdo com a experiência do ouvinte. Não podemos cravar ao certo como será o futuro, mas podemos afirmar que o ouvinte de rádio terá – assim como hoje – a necessidade de combinar o acesso ao entretenimento e informação.

Dados desestruturados: um risco elevado para os radiodifusores na nova geração digital

Assim como muitos radiodifusores já possuem seus aplicativos mobile e web para oferecer sua programação pela Internet, é verdade também que a maioria ainda não tem acesso às melhores tecnologias para coletar, tratar e analisar o grande volume de informações que são geradas a partir dos acessos aos aplicativos. Muitas sequer sabem dizer quantos ouvintes possuem no Streaming! E o resultado é um grande conjunto de dados não estruturados que, muitas vezes, dizem mais sobre o comportamento do que as pessoas gostariam. Mais que isso, “não basta colocar os dados no centro da estratégia, é preciso ter um propósito”, apontou a consultoria Gartner. E é baseado em dados que o Spotify está testando uma ferramenta que imita a experiência de ouvir rádio. O propósito? Ajudar as pessoas a alternarem as suas playlists e descobrirem coisas novas.

Tudo o que falta é tempo e trânsito. O nasce o Spotify Rádio

Enquanto as emissoras de rádio ainda se comportam como se a distribuição do conteúdo não fosse pulverizada, diante dos problemas do dia-a-dia que agora misturam o artístico com Internet, outras empresas podem acabar “mexendo no seu queijo”. 

Há poucas semanas o Spotify lançou uma espécie de “rádio” voltada para motoristas, que vai misturar música e informação. Batizada de "Your Daily Drive", a playlist reúne as músicas indicadas ao usuário de acordo com seu gosto pessoal juntamente com conteúdo de podcasts informativos ou que tratem de assuntos do cotidiano. 

Porém, por enquanto, o recurso está disponível apenas para usuários dos Estados Unidos. Certamente, logo chegará por aqui. O Spotify Rádio já está. Falta pouco para o serviço de streaming incluir a oferta de serviços hoje oferecidos pelas rádios: a combinação de música, entretenimento e informação.

Olhar para o que os líderes estão fazendo

"Em algum lugar, tem alguém acompanhando os seus passos. Por isso, é importante saber como os líderes de Analytics vão se comunicar com os clientes" - Rita Sallam, Distiguished VP Analyst do Gartner. O Spotify vai reinventar o rádio? A "Your Daily Drive" chega um mês depois que o Spotify anunciou seu primeiro projeto de hardware - Car Thing - projetado para coletar dados sobre como as pessoas consomem áudio no carro. Essa iniciativa mostra as ambições do Spotify.

E quais são as ambições dos radiodifusores?

(*) Diretor da plataforma Nextdial Intelligence, criada para medir a audiência das emissoras de rádio em tempo real e realizar a gestão da presença Internet.