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Indústria 4.0: uma revolução no mundo dos negócios

 

Marcelo Pugliesi (*)

O mundo dos negócios já sente os reflexos da Indústria 4.0, também chamada de 4ª Revolução Industrial. O avanço das máquinas, o crescimento exponencial da internet e a enorme quantidade de informações digitalizadas são parte desse novo contexto, que impõe às empresas o abandono de modelos de operação obsoletos e a transformação da cadeia de valor.

O universo Big Data, AI, sistemas ciberfísicos e a Internet das Coisas, ou Internet Of Things (IoT), responsáveis por orientar essa nova indústria, permitem às organizações serem cada vez mais competitivas, reduzirem seus custos e erros e apostarem na personalização e em escala sem precedentes. A melhor integração de dados entre fábrica e consumidor gera novas oportunidades colaborativas, com o cliente tornando-se mais próximo da produção.

O impacto de uma nova era

Este novo modelo leva a indústria a atuar de maneira customizada, promovendo a oferta de produtos alinhados com as necessidades dos clientes, – e, com isso, chegam ao fim os desperdícios. O processo de tomada de decisão, realizada sob demanda e em tempo real, torna-se mais eficientes. Diversos procedimentos, antes sujeitos a erro humano, passam a funcionar de maneira autônoma. Porém, é a velocidade com que essa evolução se instala que força qualquer um a repensar o futuro de seu negócio e de suas vidas.

As mudanças surgidas com a 4ª Revolução Industrial ocorrem desde as fábricas e os modos de operação até a forma como os serviços são desenvolvidos e entregues aos consumidores. Uma das principais consequências está na mudança do perfil da mão de obra, tema bastante debatido na 47ª edição anual do Fórum Econômico Mundial realizada em janeiro de 2017, em Davos, na Suíça: a previsão é que automação elimine sete milhões de empregos industriais nos 15 países mais desenvolvidos até 2020.

Anuncia-se, portanto, uma mudança no chão de fábrica, com a necessidade de profissionais especializados, com mais conhecimento técnico para atuar com máquinas e sistemas cada vez mais inteligentes, e que precisarão adaptar-se a um novo formato de produção, com decisões apoiadas na inteligência dos dados.

Mas se algumas funções mais repetitivas ou braçais tendem a desaparecer, novas oportunidades devem surgir, inclusive em áreas como P&D (Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), por exemplo. Colaboradores acostumados a trabalhar de maneira isolada deverão desenvolver um perfil multidisciplinar, aprendendo a lidar com áreas de formação diferente da sua e movimentar-se bem entre elas, já que a interação tende a ser muito maior.

Para fazer a transição para Indústria 4.0, é preciso deixar para trás um modelo de negócio centenário, quebrar paradigmas e entender que o mercado vive um momento diferente. Frente a esta revolução, as empresas precisam reunir em um único ambiente virtual pessoas, equipamentos e informações conectadas em rede para otimizar seus processos de produção. Agora, a convergência de dados assume o protagonismo e as tecnologias da informação, aplicadas aos processos de manufatura, alteram toda a cadeia de negócios.

E o cliente?

No centro dessas mudanças nas cadeias de valor, produtos e serviços, o cliente passa a ser um valioso fornecedor de insights para a indústria. De acordo com suas necessidades e demandas – apuradas a partir de análises profundas e eficientes dos dados coletados –, os serviços e produtos tornam-se mais personalizados. Hoje todos os players precisam prestar atenção ao que o consumidor quer e precisa, sempre prontos para adiantar necessidades e atentos para prever mudanças. O consumidor tem cada vez menos tempo e muito mais ofertas à sua volta.

Mas a cadeia de negócios linear – indústria/distribuidor/varejo/cliente – perde força diariamente, e essas duas pontas cada vez estarão mais próximas. A integração e a troca de dados rompem esse padrão e deixam o cliente com um papel mais ativo em relação aos produtos e serviços que chegam ao mercado. Com a interoperabilidade, ou seja, interação entre pessoas, tecnologia e informações, a indústria passa a receber insights sobre os gostos, os desejos e as necessidades desses consumidores.

Relacionamento e atendimento, portanto, continuam sendo palavras-chave. A indústria 4.0 deve gerar oportunidades para a manutenção e ampliação da relação com os consumidores. E isso será possível com abertura para o diálogo, a fim de transformar o cliente em seu ativo mais importante. Em meio às mudanças, segue o desafio de engajar, conquistar e fidelizar o cliente – na era 4.0, cada vez mais disputado.

(*) CEO da Hi Platform

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